16 de outubro de 2026

Música

Com 11 milhões de visualizações, MC Livinho quebra recorde do Tiny Desk Brasil

A apresentação do funkeiro supera os números anteriores do projeto e destaca as influências de R&B, soul e gospel em sua trajetória musical

Barbara Braga | 16/10/2026
Thumbnail
- Crédito: @tinydeskbra | @mclivinho | @arielabueno

O MC Livinho alcançou um marco na história do Tiny Desk Brasil. Em apenas duas semanas após a estreia, sua apresentação ultrapassou 11 milhões de visualizações no YouTube, tornando-se o vídeo mais assistido da versão brasileira do projeto. O resultado superou os números anteriores de Josyara e João Gomes, cujas performances registravam cerca de 7,3 milhões de visualizações cada, de acordo com o material divulgado pela produção.

Lançado em setembro de 2026, o episódio apresenta uma nova leitura de sucessos da carreira do cantor, com arranjos que evidenciam influências de R&B, soul e gospel. Entre as músicas interpretadas estão “Fazer Falta” e “Cheia de Marra”, que ganharam versões intimistas e permitiram explorar outras possibilidades vocais e instrumentais do artista.

MC Livinho destaca o R&B como sua principal influência

Embora tenha construído uma trajetória de destaque no funk brasileiro, MC Livinho sempre incorporou outras referências à sua identidade musical. Durante a apresentação, o cantor explicou que não enxerga a música a partir de limites rígidos entre gêneros e ressaltou sua conexão com diferentes estilos.

“Eu não vejo a música como uma coisa limitada. A música pra mim é a arte de manifestar os diversos afetos da nossa alma mediante ao som”, afirmou o artista. Na sequência, citou gêneros como rock, bossa nova, pagode e sertanejo, antes de destacar o R&B como sua principal influência.

A escolha do repertório e os novos arranjos ajudam a evidenciar essa mistura de referências. Em vez de reproduzir as gravações originais, a performance explora nuances das canções e aproxima o público de uma dimensão mais intimista do trabalho do cantor.

O resultado também mostra como artistas do funk podem experimentar diferentes formatos sem abandonar a identidade construída ao longo da carreira. Ao levar suas músicas para um ambiente musical diferente daquele em que se popularizaram, Livinho amplia as possibilidades de interpretação de seu repertório.

“O cara do funk, periférico, estar aqui neste ambiente é uma vitória”

O recorde de visualizações também está associado a uma dimensão de representatividade. Durante a gravação, MC Livinho celebrou a oportunidade de participar de um projeto que acompanha há anos e destacou o significado de ocupar aquele espaço como artista ligado ao funk e às periferias.

“A gente chega num ambiente assim e se sente em casa. Ainda mais com uma gig dessa, uma produção desta, num local de tanta expressão que é o Tiny Desk. Assisti vários Tiny Desk! Milhares! E hoje, o cara do funk, periférico, estar aqui neste ambiente é uma vitória!”, declarou.

O cantor completou sua fala com uma reflexão sobre a importância da presença de artistas historicamente associados às periferias em espaços de visibilidade: “Nós temos que valorizar nossas presenças para que nossa ausência faça falta”.

A declaração amplia o significado da apresentação para além dos números. A participação de Livinho evidencia a circulação do funk em diferentes ambientes culturais e a possibilidade de artistas do gênero dialogarem com públicos diversos, mantendo suas referências e trajetórias.

Uma banda para dar novos contornos aos sucessos

A apresentação contou com uma banda formada por músicos responsáveis por construir os novos arranjos das canções. Andy Morais participou nos teclados e na produção musical, enquanto Bell Rocha, Diego Malane, Everton Augusto e Glauber Augusto fizeram os backing vocals.

A formação também reuniu Bru Sax no saxofone, DJ Tavares nas pickups, Felipe MusicMaker no baixo e na produção musical, Guga Sanva na guitarra, Ícaro Donato no trompete e Zeze Drums na bateria.

A combinação de instrumentos, vozes e referências musicais contribuiu para destacar elementos do repertório de Livinho que nem sempre ocupam o primeiro plano nas versões mais conhecidas das faixas. O formato permitiu uma aproximação entre o funk e sonoridades associadas ao R&B e ao soul, sem deixar de lado a identidade do cantor.

TAGS:
AUTOR:
Barbara Braga