24 de setembro de 2026

Música

Chaka Khan lança CHAKZILLA e transforma mais de cinco décadas de carreira em um novo capítulo

Com participações de Sia, Snoop Dogg e Lenny Kravitz, 23º álbum de estúdio da cantora celebra liberdade, amor, resiliência e reinvenção

Barbara Braga | 24/09/2026
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- Crédito: Nick Nelson

Há artistas que atravessam gerações. E há artistas que, além de atravessá-las, continuam encontrando novas maneiras de conversar com elas. Chaka Khan faz parte desse segundo grupo. Aos mais de 50 anos de carreira, a cantora lança CHAKZILLA, seu 23º álbum de estúdio e o primeiro trabalho com material inédito em mais de sete anos.

Disponível nas plataformas digitais pela EarthSong Records, com distribuição e marketing mundial da BMG, o novo disco reúne uma artista que não parece interessada em transformar a própria trajetória em ponto final. Pelo contrário: CHAKZILLA nasce justamente da ideia de continuar experimentando, questionando e se reinventando.

O álbum combina a voz que tornou Chaka uma das referências do soul, R&B e funk com uma produção contemporânea assinada pelo produtor vencedor do Grammy Greg Kurstin. O resultado é um projeto atravessado por temas como liberdade, amor, autoconhecimento, alegria, resiliência e poder pessoal.

E existe um detalhe importante nessa construção: todas as faixas foram coescritas por Chaka Khan, colocando a cantora não apenas como intérprete, mas como uma das principais responsáveis pela narrativa que conduz o disco.

Um álbum sobre continuar se descobrindo

Se existe uma palavra capaz de atravessar CHAKZILLA, ela é liberdade.

Depois de mais de cinco décadas sob os holofotes, Chaka Khan poderia simplesmente revisitar fórmulas que marcaram sua carreira. O novo álbum, porém, parte de outro lugar. As músicas refletem experiências acumuladas ao longo dos anos e a disposição de olhar para si mesma sem a obrigação de ter todas as respostas.

“Este álbum é sobre alegria. É sobre liberdade. É sobre amar a si mesmo, amar uns aos outros e encontrar seu poder, não importa em que momento da vida você esteja”, afirma Chaka.

A cantora também explica que viveu muitas experiências desde seu último disco e queria transformar esse período em música. A ideia aparece em diferentes momentos do álbum, que trata o envelhecimento não como encerramento, mas como mais uma etapa de descoberta.

Essa perspectiva fica especialmente evidente em “Curious Subject”, uma das faixas que antecederam o lançamento do disco.

“Curious Subject” e a coragem de não ter todas as respostas

Coescrita por Chaka Khan, Sia e Greg Kurstin, “Curious Subject” apresenta uma Chaka mais reflexiva.

A música parte de perguntas sobre identidade, envelhecimento e autoconhecimento, sem tentar construir uma resposta definitiva sobre quem é a cantora depois de tantas décadas de carreira.

A própria expressão “curious subject” funciona como uma espécie de síntese dessa proposta: Chaka Khan continua sendo alguém em processo de descoberta.

A faixa ganhou ainda uma nova performance para o A COLORS SHOW, marcando a segunda participação da artista na plataforma musical. Antes, Chaka havia apresentado “Through The Fire”, performance que voltou a circular entre novas gerações de ouvintes e ganhou força nas redes sociais.

Em CHAKZILLA, essa aproximação com novos públicos acontece sem que a cantora precise abandonar aquilo que construiu sua identidade.

Da criatura gigante ao poder de Chaka

A história do álbum começou com a própria faixa-título, “Chakzilla”, primeiro lançamento inédito de Chaka Khan em mais de sete anos.

Coescrita pela cantora ao lado de Sia e Greg Kurstin, a música aposta em uma linha de baixo pulsante e nos vocais característicos de Chaka. O conceito ganhou uma dimensão visual ainda maior no videoclipe, que transforma a cantora em uma figura de poder capaz de salvar uma cidade da destruição.

A estética faz referência aos clássicos filmes de monstros, mas também ajuda a construir a imagem que atravessa o projeto: Chaka não aparece como uma artista presa ao próprio legado, mas como uma força que continua ocupando espaço.

Depois veio “Boogie’s In My Soul”, com participação de Snoop Dogg, faixa que aposta na dança, na liberdade e na sensação de prazer como formas de celebrar a própria existência.

O álbum ainda conta com Sia em “Cool U Down” e participação de Lenny Kravitz, ampliando a conexão de Chaka com diferentes territórios da música contemporânea.

Sia e Greg Kurstin no encontro com uma voz histórica

A presença de Sia é especialmente importante na construção do disco. A cantora e compositora participa da composição de grande parte das faixas e divide os vocais com Chaka em “Cool U Down”.

Para Sia, trabalhar com Chaka significou colaborar com uma artista que considera singular, destacando tanto sua voz quanto seu senso de humor.

Já Greg Kurstin, responsável pela produção do álbum e também parceiro de composição em diversas faixas, fala sobre a experiência a partir da perspectiva de alguém que acompanha a carreira de Chaka há décadas.

A colaboração cria uma ponte entre diferentes gerações da música: de um lado, uma das vozes fundamentais da história do R&B, soul e funk; do outro, nomes que ajudaram a construir parte da sonoridade pop das últimas décadas.

Uma carreira que continua se movimentando

O lançamento de CHAKZILLA também acontece em um período especialmente simbólico para Chaka Khan. Em 2026, a cantora recebeu o Lifetime Achievement Award da Recording Academy, uma das principais honrarias concedidas pela instituição responsável pelo Grammy, em reconhecimento à sua trajetória.

Dois anos antes de completar essa nova fase, Chaka também havia recebido outra importante homenagem. Em 2023, foi introduzida no Rock & Roll Hall of Fame, consolidando seu lugar entre os nomes que ajudaram a transformar a música popular.

Sua trajetória atravessa diferentes gêneros e momentos da indústria. Antes da carreira solo, Chaka ganhou projeção como vocalista do Rufus, grupo com o qual lançou sucessos como “Tell Me Something Good”. Depois, construiu uma carreira solo que incluiria clássicos como “I’m Every Woman”, “Ain’t Nobody” e “I Feel for You”.

Mas CHAKZILLA não parece interessado em fazer desse passado uma espécie de ponto final. O novo álbum usa toda essa experiência como matéria-prima para falar sobre o presente.

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Barbara Braga