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Bless Ewbank estreia como ator em “A Nobreza do Amor” e interpreta príncipe em história marcada pela ancestralidade
Filho de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, ator de 11 anos faz sua estreia na televisão em uma trama que coloca África, memória e representatividade no centro da narrativa
A televisão ganhou um novo rosto negro em cena. Aos 11 anos, Bless Ewbank Gagliasso fez sua estreia como ator em “A Nobreza do Amor”, novela da TV Globo que tem a África, a ancestralidade e a representatividade negra como elementos fundamentais de sua narrativa.
Filho de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso, Bless interpreta Cayman II na infância, personagem que, na fase adulta, é vivido pelo ator angolano Welket Bungué. A participação acontece em uma sequência de flashback que recupera memórias da infância do personagem e ajuda a revelar parte da história que atravessa a trama.
Um príncipe negro na infância
Na sequência exibida pela novela, Cayman II aparece ainda criança ao lado de José, personagem interpretado na infância por Arthur Ferreira e, na fase adulta, por Bukassa Kabengele.
Os dois percorrem os jardins do antigo palácio até chegarem ao baobá sagrado, árvore que carrega forte dimensão simbólica dentro da narrativa.
A cena recupera uma memória compartilhada pelos personagens e ajuda a construir a relação entre família, território e ancestralidade que atravessa a história.
Para Bless, é também o primeiro contato profissional com um universo que exige não apenas interpretar um personagem, mas participar da construção de uma narrativa em que crianças negras podem aparecer como príncipes, herdeiros e protagonistas de suas próprias histórias.
O interesse pela atuação
A estreia não teria acontecido completamente por acaso.
Segundo Giovanna Ewbank, Bless já demonstrava interesse pela atuação e vinha fazendo aulas de teatro. A participação em “A Nobreza do Amor” representa, portanto, o primeiro passo profissional de um interesse que já existia antes da chegada às telas.
A mãe celebrou publicamente a estreia do filho e compartilhou o orgulho de vê-lo participar de uma produção que considera importante pela dimensão de sua história e de sua representatividade.
A relação de Bless com as artes também encontra espaço dentro de uma família acostumada aos bastidores da televisão, mas a estreia acontece a partir de uma escolha própria do menino, que começa a experimentar uma área diferente daquela pela qual os pais são conhecidos.
Representatividade também se constrói na infância
Existe uma dimensão especialmente importante quando uma criança negra aparece na televisão ocupando um lugar de nobreza, poder e pertencimento.
Por muito tempo, personagens negros foram associados, em grande parte das produções brasileiras, a papéis atravessados por desigualdade, sofrimento ou posições secundárias. Ampliar esse imaginário significa também permitir que crianças negras se reconheçam em personagens que podem ser reis, príncipes, herdeiros, líderes e protagonistas.
É nesse ponto que a estreia de Bless dialoga diretamente com a proposta de “A Nobreza do Amor”.
A novela não utiliza a África apenas como cenário distante. O continente e suas referências aparecem relacionados à memória, à identidade, às relações familiares e à construção dos personagens.
Na cena em que Cayman e José chegam ao baobá, a árvore funciona justamente como um elemento que conecta diferentes tempos da narrativa.
O baobá como memória
O baobá ocupa um lugar de destaque na cena e também carrega uma forte dimensão simbólica em diferentes culturas africanas.
Conhecido pela longevidade e pelo tamanho que pode alcançar, o baobá é frequentemente associado a memória, ancestralidade, comunidade e continuidade.
Dentro da novela, sua presença ajuda a estabelecer uma ligação entre passado e presente. É diante dessa árvore que a infância dos personagens é recuperada, transformando uma lembrança em parte da construção da história.
E é justamente nesse momento de memória que Bless aparece pela primeira vez na televisão.
A imagem de uma criança negra diante de uma árvore carregada de simbolismo, interpretando um príncipe africano, acrescenta outra camada à estreia: o passado da narrativa encontra uma nova geração de atores que começa a ocupar esses espaços.
Uma estreia que vai além do sobrenome
O sobrenome de Bless naturalmente chama atenção. Afinal, ele é filho de dois artistas conhecidos pelo público brasileiro.
Mas reduzir sua estreia a esse vínculo seria deixar de lado o que a própria participação representa.
Bless chega à televisão como ator, com preparação em teatro e inserido em uma produção que exige dele a construção de um personagem dentro de uma narrativa marcada por relações de família, poder e ancestralidade.
A estreia ainda é pequena em duração, mas simbólica em seu contexto.
Para uma criança, ocupar uma produção de grande alcance interpretando um personagem negro que pertence à realeza de um reino africano fictício também significa participar de um imaginário que amplia as possibilidades de representação.
Não se trata de dizer que uma única novela transforma a televisão. Mas de reconhecer que cada personagem também ajuda a formar o repertório visual de quem assiste.
E, para crianças negras diante da tela, ver alguém parecido consigo ocupando determinados lugares pode importar.
Novas histórias, novos rostos
“A Nobreza do Amor” vem construindo sua narrativa a partir de diferentes gerações e histórias conectadas pela ancestralidade e pela memória. A chegada de Bless a esse universo reforça justamente essa ideia de continuidade.
Ele interpreta Cayman em uma fase anterior da vida do personagem. Um momento de infância que existe para explicar o homem que ele se tornará.
Ao mesmo tempo, a própria estreia de Bless inaugura uma nova etapa de sua trajetória.
O personagem olha para o passado. O ator começa a construir o próprio futuro.
E talvez seja essa a imagem mais interessante deixada pela estreia: uma criança negra entrando em cena para representar uma história de origem, cercada por símbolos de ancestralidade, enquanto começa a escrever sua própria história dentro da televisão.
Ainda é cedo para saber quais serão os próximos passos de Bless como ator. Mas sua primeira experiência já acontece em um lugar significativo.
Em “A Nobreza do Amor”, ele não estreia apenas diante das câmeras. Estreia interpretando um príncipe negro, dentro de uma narrativa que coloca a África e suas referências no centro da história.




