Entrevistas
Africanize e L’Oréal ampliam debate sobre racismo nas relações de consumo em novo mesacast
Episódio reúne Rízia Cerqueira, Eduardo Paiva e Dione Assis para discutir o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro, discriminação no varejo e caminhos para transformar a experiência de consumidores negros
Como transformar diversidade em mudança concreta dentro das empresas? A pergunta está no centro de um novo mesacast produzido pela Africanize em parceria com o Grupo L’Oréal no Brasil, que propõe uma conversa sobre racismo nas relações de consumo e os caminhos para construir experiências mais inclusivas para consumidores negros.
Apresentado por Rízia Cerqueira, o episódio recebe Eduardo Paiva, diretor de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo L’Oréal no Brasil, e Dione Assis, advogada e fundadora da Black Sisters in Law, para discutir o Código de Defesa e Inclusão do Consumidor Negro.

(Foto/Imagem/Reprodução: Coruja Urbano)
Durante o encontro, os convidados apresentaram dados que ajudam a dimensionar um problema que muitas vezes acontece de forma silenciosa dentro dos estabelecimentos. Entre os números apresentados está o de que 91% dos consumidores negros das classes A e B ouvidos na pesquisa que deu origem ao código relataram já ter sofrido algum tipo de discriminação racial em lojas de beleza de luxo.
A pesquisa também identificou 21 diferentes dispositivos por meio dos quais a discriminação pode aparecer na experiência de compra, passando por situações como vigilância dentro das lojas, abordagens baseadas na percepção de poder aquisitivo e olhares julgadores.
O episódio mostra como empresas podem transformar dados sobre desigualdade em novos processos, treinamentos, protocolos de atendimento e mecanismos de acompanhamento.
Na L’Oréal, uma das iniciativas implementadas foi o chamado Black Mystery Shopper, um modelo de cliente oculto negro utilizado para avaliar a experiência de consumidores nas lojas e identificar possíveis comportamentos discriminatórios durante o atendimento.
Segundo Eduardo Paiva, após a implementação de novos protocolos, houve uma redução de 35% na incidência dos dispositivos racistas monitorados nos atendimentos avaliados.
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(Foto/Imagem/Reprodução: Coruja Urbano)
O debate também aborda representatividade nos espaços de decisão. Para os participantes, transformar a experiência do consumidor negro exige olhar para toda a cadeia: quem desenvolve produtos, quem pensa campanhas, quem toma decisões estratégicas e quem está na ponta atendendo o público.
Ao colocar essa discussão no centro de seu conteúdo, a Africanize reforça um posicionamento construído ao longo de sua trajetória: conectar a comunidade negra aos principais debates culturais, sociais e econômicos do país, ao mesmo tempo em que aproxima empresas de conversas que impactam diretamente seus consumidores.
Mais do que ampliar representatividade na comunicação, o desafio colocado pelo episódio é pensar diversidade como parte da estrutura dos negócios.
O mesacast faz parte desse movimento ao reunir diferentes perspectivas para discutir caminhos concretos de transformação dentro do mercado brasileiro.






