Esportes
África do Sul avança para tentar sediar os Jogos Olímpicos de 2036 e pode levar competição ao continente pela primeira vez
País está entre os sete interessados em receber os Jogos; processo ainda está em fase inicial e a escolha da sede está prevista para 2029
A África do Sul deu mais um passo em sua intenção de receber os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2036. O país está entre os sete territórios que mantêm diálogo com o Comitê Olímpico Internacional (COI) para sediar a competição, segundo a lista divulgada pela entidade em 6 de outubro. Se a proposta avançar e for escolhida, a África do Sul poderá se tornar o primeiro país africano a sediar os Jogos Olímpicos.
A possibilidade tem peso para além do esporte. Em mais de um século de história dos Jogos Olímpicos modernos, o continente africano nunca recebeu a principal competição multiesportiva do planeta. Uma edição realizada em solo africano representaria uma mudança simbólica na distribuição geográfica de um evento de alcance global e abriria espaço para ampliar a visibilidade de atletas, culturas e estruturas esportivas do continente.
África do Sul está entre sete países interessados
De acordo com o COI, a África do Sul participa da etapa de diálogo contínuo, ao lado de Alemanha, Hungria, Índia, Catar, Coreia do Sul e Turquia. Isso significa que o país está desenvolvendo e apresentando sua intenção de sediar os Jogos, mas ainda não foi escolhido como sede nem concluiu todas as etapas do processo.
O governo sul-africano já havia aprovado, em novembro de 2025, o avanço das conversas para uma possível candidatura às edições de 2036 ou 2040. A movimentação ganhou novo capítulo com a inclusão do país entre os interessados formalmente reconhecidos pelo COI para 2036.
Segundo o cronograma divulgado pela entidade, os países interessados foram convidados a apresentar seus projetos à Comissão de Futuras Sedes em novembro de 2026. A previsão é que o COI faça uma avaliação de viabilidade e, até março de 2027, selecione quais propostas avançarão para uma etapa de diálogo estratégico. A definição da sede dos Jogos de 2036 está prevista para meados de 2029.
Experiência em grandes eventos esportivos
A África do Sul já recebeu competições internacionais de grande porte. Entre os exemplos estão a Copa do Mundo de Rugby de 1995, a Copa do Mundo de Críquete de 2003 e a Copa do Mundo de Futebol de 2010, a primeira edição masculina do torneio da FIFA realizada no continente africano. Essa experiência faz parte dos argumentos que sustentam a intenção de sediar os Jogos Olímpicos. (EWN)
Entre as cidades mencionadas em discussões sobre a proposta estão Cidade do Cabo, Joanesburgo e Durban. Ainda não há, porém, uma definição final sobre o modelo de organização, a distribuição das modalidades ou quais cidades integrariam um eventual projeto olímpico. (NBC Sports)
Receber os Jogos exigiria um planejamento amplo, que vai além da construção ou adaptação de arenas esportivas. O COI avalia aspectos como infraestrutura, experiência dos atletas, financiamento, apoio político e popular, capacidade de organização e legado para as comunidades. A proposta também precisa demonstrar como os investimentos poderão produzir benefícios duradouros para a população, em vez de se limitarem ao período da competição. (Comitê Olímpico Internacional)
O significado de uma edição olímpica em solo africano
A ausência do continente africano no mapa de sedes dos Jogos é um dos elementos centrais dessa discussão. Apesar de sua diversidade esportiva e da presença de atletas africanos de destaque em diferentes modalidades, nenhum país da região recebeu até hoje uma edição dos Jogos Olímpicos de verão.
Uma eventual escolha da África do Sul poderia contribuir para questionar essa desigualdade histórica de representação e colocar o continente no centro de uma das maiores vitrines do esporte mundial. Também criaria oportunidades para discutir acesso ao esporte, formação de atletas, investimentos em equipamentos públicos e desenvolvimento de estruturas que permaneçam disponíveis após o evento.
Esse possível legado, no entanto, não é automático. A realização de um megaevento demanda recursos públicos e privados, planejamento urbano, transporte, segurança, hospedagem e instalações adequadas. Por isso, o debate sobre a candidatura também precisa considerar custos, transparência, prioridades sociais e benefícios concretos para quem vive nas cidades anfitriãs.
A experiência sul-africana com a Copa do Mundo de 2010 oferece referências importantes, mas os Jogos Olímpicos têm dimensões e exigências próprias. O desafio será apresentar um projeto financeiramente viável, capaz de atender aos critérios internacionais e de demonstrar que a competição pode deixar resultados positivos para além do espetáculo esportivo.
Uma decisão que ainda está por vir
Por enquanto, a África do Sul segue na disputa preliminar por uma oportunidade histórica. O próximo passo será detalhar sua proposta e convencer o COI de que o país tem condições de organizar os Jogos com segurança, estrutura e um plano consistente de legado.
A decisão final ainda está distante, e a presença na lista de interessados não garante que a candidatura avançará até a votação.




