9 de maio de 2026

Representatividade

Rebecca fala sobre maternidade, legado e criação de uma menina preta: “Ser mãe me deixou mais forte”

Artista afirma que ensinar orgulho das origens e autoestima para a filha se tornou uma de suas maiores responsabilidades

Barbara Braga | 08/05/2026
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A maternidade mudou a forma como Rebecca enxerga o futuro e também a si mesma.

Conhecida por sua trajetória no funk carioca, a artista revelou que a chegada da filha, Morena, trouxe um novo olhar sobre autoestima, legado e responsabilidade emocional. Mais do que reorganizar sua rotina, Rebecca afirma que a maternidade transformou sua maneira de pensar sobre o mundo e sobre o exemplo que deseja deixar dentro de casa.

“Depois que a Morena nasceu, eu comecei a pensar muito mais no amanhã. Antes eu pensava só em correr atrás dos meus sonhos. Hoje eu penso em como criar uma menina forte, segura e feliz”, afirmou a cantora.

Maternidade, autoestima e reconstrução

Ao falar sobre essa nova fase, Rebecca também relaciona a maternidade ao próprio processo de amadurecimento emocional. Segundo a artista, criar Morena fez com que ela passasse a olhar para si com mais cuidado, respeito e compreensão, especialmente depois de uma trajetória marcada por desafios pessoais e profissionais.

“Ser mãe me deixou mais sensível, mas também mais forte. Passei a me respeitar mais, a entender meu tempo e a valorizar tudo que eu já superei para chegar até aqui.”

A fala ajuda a atravessar uma discussão importante sobre como mulheres negras, especialmente mães periféricas, frequentemente precisam lidar com a pressão constante de sustentar carreira, afetividade e estabilidade emocional ao mesmo tempo.

Criar uma menina preta também é ensinar pertencimento

Como mulher preta e vinda da periferia, Rebecca afirma que sente uma responsabilidade ainda maior na construção da autoestima da filha. Para a cantora, essa formação começa dentro de casa: na maneira como Morena será ensinada a enxergar sua própria imagem, sua origem e sua identidade.

“Quero que a Morena cresça sabendo quem ela é, de onde veio e o valor que ela tem. Quero que ela tenha orgulho da história dela e nunca aceite menos do que merece.”

Entre os palcos e a presença cotidiana

Mesmo conciliando shows, gravações e uma rotina intensa de trabalho, Rebecca afirma que faz questão de participar ativamente da vida da filha. Para ela, construir memórias afetivas importa tanto quanto qualquer conquista material.

“Eu trabalho muito, tenho meus compromissos, mas faço questão de estar perto, de participar e de viver cada fase dela. Criança cresce rápido, e eu quero guardar cada momento.”

A fala também confronta uma lógica histórica que frequentemente exige que mulheres, principalmente mães, escolham entre maternidade e carreira. Rebecca afirma que muitas de suas vitórias passaram a ter outro peso depois da maternidade.

Criada em um contexto de dificuldades e superação, a cantora diz que hoje enxerga como uma de suas maiores realizações a possibilidade de oferecer experiências diferentes para a filha.

“Eu vim de uma caminhada de muita luta. Então poder dar oportunidades, conforto e tranquilidade para minha filha é uma das maiores vitórias da minha vida.”

“Nenhuma mãe precisa ser perfeita”

No mês das mães, Rebecca também deixou uma mensagem para mulheres que enfrentam as pressões diárias da maternidade e a cobrança constante por perfeição.

Para a artista, acolhimento e afeto precisam vir antes da culpa.

“Nenhuma mãe precisa ser perfeita. Cada uma está fazendo o melhor que pode. O amor, a presença e a vontade de cuidar já valem muito.”

Uma maternidade atravessada por afeto, identidade, presença e consciência racial.

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Barbara Braga