• 13-06-2024

Com dupla nacionalidade Brasil-Angola André Damião está rompendo fronteiras e alcançando novos patamares em sua carreira.

Este ano, Andre estreia como apresentador na RTP/RTP África, uma das maiores emissoras do mundo, com um quadro semanal no programa "Bem Vindos". Nesta entrevista exclusiva, exploramos o novo capítulo em sua carreira, marcando-o como o primeiro brasileiro a integrar este projeto que será transmitido em diversos países como: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Guiné-Equatorial, Europa Portugal, França, Inglaterra e Luxemburgo. Locais com comunidades negras significantes. O programa ainda não tem data prevista para ir ao ar, mas o apresentador nos deu vários spoilers exclusivos. Confira a entrevista na íntegra.   

andre-damiao-africanize-adrianoreisg-1-1.JPG
Créditos:  Adriano Reis

Africanize:  Conta pra gente como você se sente sendo o primeiro brasileiro a fazer parte deste projeto na RTP África, atingindo um público tão diversificado?  

Estou me sentindo muito eu, tanto na brasilidade quanto por estar criando e desenvolvendo um projeto voltado para Angola. Tem sido uma honra estar me vendo nos meus dois universos em um só trabalho.

Africanize:  Fala um pouco pra gente de como será seu quadro dentro “Bem Vindos” e o que podemos esperar das colaborações especiais do seu programa?  

Estou ansioso. Serão diversos convidados, será um papo intimista e leve, trazendo curiosidades de carreira e afins, inclusive sobre os looks. Eu me expresso bastante na forma como me visto, e estar conectado com a moda através desse quadro vai ser bem legal. E isso é um spoiler... (risos). É um quadro de entretenimento; a gente quer falar e trazer curiosidades de algumas figuras bem conhecidas e outras nem tanto, mas que merecem ter essa visibilidade. Tem boas histórias, e estou super animado para poder contar através do quadro (risos).

Africanize:  Pra você qual é a importância da representatividade na mídia especialmente, em uma emissora com audiência em várias nações africanas e europeias?  

Olha, bem forte, basicamente, dar continuidade a tudo que acredito e já faço aqui no Brasil. Eu tenho uma comunicação bem voltada às falas raciais desde sempre. Eu iniciei na fotografia fazendo editoriais de empoderamento negro. No decorrer, tornaram-se textos e, enfim, minha vivência é preta, então basicamente é dar continuidade.

Africanize:  Você já é uma pessoa influente e não é de hoje que você fala das pautas raciais. Como você acha que seu papel como influenciador e de representante de grandes marcas contribuiu para que essa oportunidade única chegasse até você nesse momento?

Olha, eu acho que contribuí por ser uma verdade, um trabalho com constância e com seriedade. Eu trabalho há 11 anos dentro do digital com diversas camadas. Vim da fotografia, rompi a bolha e fui para o lado mais comercial como comunicador e influenciador. Dirigi a campanha de empoderamento negro da C&A anos atrás. Eu tenho muitos feitos ao longo desse tempo e acredito que tudo isso tenha resultado nesse projeto. Eu acho que a constância é a melhor resposta para isso, e na verdade, é a soma de tudo isso que contribuiu para eu chegar até aqui.

Africanize:  Por ser um programa internacional você acha que terá algum desafio com a comunicação e como acredita que enfrentará esses desafios?   

Eu acredito que possa surgir, por mais que seja um português diferente. Igual quando estive da última vez em Angola, a minha comunicação é muito mais voltada ao Brasil, até por morar aqui. Mas eu acho que será um desafio gostoso de viver. Eu acho legal essa experiência, e o novo me motiva. Eu sou uma pessoa que não gosta de estar estagnado em algo que já estou fazendo, gosto de me jogar em novas experiências, e com essa não será diferente.

Africanize: E como está sendo a gravação do programa? Você vai fazer ponte área ou vai ficar por aqui no Brasil?  

Bom... Teremos uma ponte aérea e já é um spoiler em primeira mão (risos). Mas a ideia é realmente trabalhar de maneira remota, o que acaba sendo um desafio ainda maior porque meus diretores estão lá fora e a gente tem que alinhar tudo desde o fuso horário até a correção. Então assim, desde esse primeiro momento, onde eu gravei o piloto nessa fase de teste, já foi um desafio bem grande para poder conciliar com tudo e com todos. Passa por muitas pessoas o processo da TV é muito diferente do digital, do qual estou acostumado, até porque eu tenho muita autonomia dentro das minhas redes e faço tudo no meu tempo. Estar ligado nesse cronograma, com fuso e essa ponte é bem desafiador, mas bem legal ao mesmo tempo.

Africanize:  Você já tinha um relacionamento com a emissora? Como aconteceu o convite para ser apresentador?  

Só como telespectador mesmo. Nunca tive um relacionamento com eles, e nem entrevista ainda eu fiz com eles; estou dando para vocês em primeira mão. Meu relacionamento é de telespectador, e acabou de a gente ter essa conexão literalmente de todas as formas, que resultou nesse projeto. Estou muito feliz de ter sido escolhido. Principalmente por ser o primeiro brasileiro, também estou muito feliz de estar fazendo daqui algo que amo muito, que é me comunicar. Algo que faço com tanto prazer literalmente e de estar me conectando com os meus. É o primeiro trabalho que chega até minha família em Angola; eles podem ver e ter essa proximidade. Isso me dá uma satisfação pessoal muito grande.

Africanize:  Como está sendo a abordagem da sua comunidade e de como estão recebendo a notícia de te ver na TV?  

Nossa, estão com a expectativa bem alta e isso acaba também aguçando em mim o desejo de dar o meu melhor, não que me coloque em aprovação, mas é bom você estar satisfazendo quem tem o anseio de te ver fazendo algo bom. Ano passado foi um ano em que me preparei muito para isso; estudei muito e fiz um curso de TV e cinema, o que me deu uma noção para ter mais técnica, ainda mais por eu ser do digital, onde tenho muitos vícios. Como todo influenciador, tenho vícios de ângulos e acabamos criando nosso próprio formato, mas na TV precisamos romper isso, pois não é só a minha bolha e nossa comunidade que assiste. É preciso entrar em um padrão normal da TV.

No ano passado, me preparei bastante e fiz inúmeros testes. Engraçado que eu sabia que poderia surgir a oportunidade de trabalhar na TV. Do ano passado para cá, fiz quatro testes e imaginei que algum pudesse dar certo, mas realmente não contava. Fui muito não receoso, mas muito pé no chão com esse projeto; gravei com a possibilidade de dar certo e dei o meu melhor, mas sabendo que se não fosse o momento estava tudo certo, afinal tenho 27 anos. Estar estreando como apresentador é uma oportunidade e tanta, e me sinto lisonjeado por isso.

Africanize:  Como vai ser o processo criativo do seu quadro terá participação sua?  

Desde a escolha do nome do quadro, já foi um trabalho colaborativo, um formato que costumo fazer bastante, até mesmo na publicidade. Dificilmente faço trabalho com uma marca com um briefing à risca; eu sempre proponho algum método colaborativo, porque acho que funciona. Não só para a marca, mas para mim. Prezo muito essa satisfação de estar fazendo também dentro do meu posto. Não gosto de ser um fantoche, embora dentro do mercado da comunicação haja muito disso. Gosto de ter essa autonomia e ter esse domínio de estar colaborando e dar meus pitacos.

Desde o princípio, eles me deram essa autonomia, essa abertura. O nome do quadro é Afro Brasil, também é algo que estou contando em primeira mão para vocês (risos). É muito bom estar compartilhando isso com vocês, porque a Africanize foi um dos primeiros portais que me reconheceu e me deu visibilidade. Então, quando chegamos nesse consenso de imprensa, foi uma exigência que fiz: eu quero falar com a Africanize em primeira mão. Achei muito importante. Hoje em dia, fico muito feliz de alcançar outros portais, mas é importante também reconhecer o portal que me enxergou como um portal de luz e de algo bom.

Africanize:   Qual recado você gostaria de deixar para a comunidade brasileira?  

Gostaria de dizer para acreditar na sua forma de se comunicar. Hoje, a internet rompe barreiras e conseguimos alcançar muitas coisas e muitas pessoas. A internet realmente mudou minha vida; estou há anos nesse cenário. E quando a gente acaba virando uma chave, às vezes entender como essas coisas aconteceram da noite para o dia. Há 10 e 15 anos, minha realidade era totalmente diferente, infelizmente, como a realidade da maioria dos negros do país, passando sufoco e apertos. Mas eu acreditei no meu poder de comunicação, eu acreditei na internet, eu acreditei no meu formato, e é isso que me move, é isso que me levou a esse lugar. Eu sou o tipo de pessoa que trabalha muito na minha convicção; é um exercício diário, muitas das vezes, principalmente para nós negros, a gente vai contra o fluxo para conseguir sobreviver. É realmente necessário ter força, resiliência e coragem para enfrentar tudo que vem pela frente, sendo bom ou ruim. Acho que para ambos exigem o mesmo grau de coragem.

Africanize: Onde as pessoas podem assistir seu programa? Já tem dia e horário definido?  

Então, nosso primeiro contato será agora em fevereiro, tanto no programa como pessoalmente. Daqui do Brasil, as pessoas podem assistir ao RTP Play, que é um aplicativo gratuito, e assim conseguirão ver toda a programação da RTP e RTP África, inclusive o programa 'Bem Vindos', onde terá o meu quadro. É o talk show mais assistido do RTP África; estou bem feliz e animado. Estamos com um timaço que vem construindo um trabalho incrível, e estou muito feliz por poder somar e mostrar a força do Brasil. Nós vamos subir essa audiência. Está sendo muito satisfatório viver esse momento. O talk show é incrível, e o quadro também é algo que realmente estamos fazendo de maneira colaborativa. Eles estão me ouvindo muito; estou opinando muito em tudo. Sou muito detalhista, e tenho certeza que vai ser bem legal.

andre-damiao-africanize-adrianoreisg-5-1.JPG
Créditos: Adriano Reis

É fascinante conhecer mais sobre a trajetória incrível de André Damião, que vai além das fronteiras nacionais ao representar marcas de renome internacional e agora se aventura como apresentador na RTP/RTP África. O fato de ser o primeiro brasileiro a participar desse projeto tão abrangente e inclusivo é verdadeiramente notável.  

A partir de agora, os telespectadores em várias partes do mundo, incluindo países africanos e europeus, terão o privilégio de acompanhar o trabalho de André. Além disso, a transmissão em regiões com uma comunidade negra significativa, como França, Inglaterra e Luxemburgo, destaca o alcance global e a representatividade que ele traz para o público.  

Desejamos a André Damião muito sucesso em sua nova jornada como apresentador no programa “Bem Vindos”, e estamos ansiosos para testemunhar o impacto positivo que sua presença terá em audiências diversas ao redor do mundo, nos sentimos representados.